quinta-feira, 2 de outubro de 2014



Alice no País das Maravilhas


                                                                           
Alice no País das Maravilhas é um famoso Clássico infantil de Lewis Carroll, com um profundo cunho psicológico.
Ao ler e analisar alguns elementos do livro, podemos aprender algumas lições.
A história inicia-se com Alice sentada observando sua irmã mais velha ler.Ela queria algo especial para fazer. Nesse momento viu um coelho branco apressado e o seguiu. Entrou após ele em sua toca. Ao descer por ela, chegou a um aposento com várias portas, mas não havia chaves nelas.
Percebemos aqui que a menina se encontrava perdida,com várias opções a sua frente, mas sem ter condições ainda para escolher.
Viu também uma cortina e ao levantá-la, notou uma pequena portinha que dava para um lindo e maravilhoso jardim, onde desejou estar. Aumentou e diminuiu de tamanho algumas vezes ao comer e beber o que estava na sala.
Chorou muito quando estava alta demais e suas lágrimas se transformaram num lago. Ao diminuir seu tamanho, teve que nadar nesse lago e suas lágrimas quase a afogaram.
O jardim, visto por Alice era o o seu "sonho de consumo", algo que ela visualizou e onde queria estar, mas se via "presa" a suas próprias limitações, ora estando mais alta que o suficiente para alcançá-lo, ora estando pequena demais.
Depreendemos aqui que, somente nós mesmos, com nosso orgulho ou baixa auto-estima poderemos nos impedir de pegar a "chave da felicidade" , abrir sua porta e passar por ela.
Neste lugar, Alice  conheceu vários personagens, como animais falantes inusitados. 
Ela viveu situações fantasiosas e acreditava ser tudo muito "curioso".
Há alguns diálogos famosos que Alice teve com alguns desses animais.
Por exemplo:Ao encontrar uma mariposa, esta perguntou-a quem ela era.Alice disse que não sabia, pois havia mudado de tamanho muitas vezes.
Nesse ponto,notamos a confusão de idéias sobre si mesma que a menina tinha. A interpretação alcança o campo da psicologia existencialista.Há momentos na vida em que nossas próprias mudanças interiores podem nos trazer um choque sobre a imagem inicial que temos de nós mesmos.Essas fases podem se dever ao amadurecimento natural ou, num outro nível a dificuldades de auto-conhecimento. 
Num diálogo com o coelho branco ela pergunta-lhe qual caminho deveria tomar para sair de lá. Ele responde que dependeria de para onde ela queria ir. Alice retrucou que não importava muito para onde e o gato pronuncia sua célebre frase“Então não importa o caminho que você escolha”.
Neste momento o coelho torna-se um mestre,que, de maneira simples e direta nos ensina que, tal como um barco com apenas um remo que anda em círculos, não há progresso sem objetivos.
Alice conheceu outros personagens inusitados como o Chapeleiro Maluco, a Duquesa,o Rei e a Rainha de Copas, que mandava executar todo mundo, dentre outros.Com cada um, são trazidos à tona frases e imagens sem sentido, algo típico do inconsciente. 
No final, ela acorda e percebe que tudo não passara de um sonho, que conta para sua irmã.
Todos os personagens, falas, tramas, de alguma forma estavam ligados ao cotidiano da protagonista.
Alice mostra-se uma menina sonhadora e criativa que estava ansiando por algo divertido e interessante para fazer, em sua vida rural, que parecia considerar sem graça.
Por isso, seu subconsciente captou as imagens reais de seu mundo para transformá-las em seu sonho, num mundo fantástico e irreal.
No fim do livro, a sua irmã também sonha com Alice e suas aventuras estranhas, imaginando-a como ela será quando crescer e que poderia se recordar com carinho daqueles dias de verão de sua infância.
Nesse ponto, a irmã de Alice demonstra-se onisciente, em relação a fusão do sonho, com a realidade. Ela nos mostra que, daqui há anos, poderemos ser gratos e recordarmos com carinho de momentos que vivemos hoje, mesmo que pareçam simples para nós.
Sendo assim, na verdade, o "País das Maravilhas" são as próprias lembranças e o imaginário de Alice, manifestadas em seu sonho de infância, da qual se recordará saudosamente no futuro.